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Brasil: Manaus é uma miragem de imunidade coletiva contra a Covid-19

Brasil: Manaus é uma miragem de imunidade coletiva contra a Covid-19

Hospitais saturados cheios de pessoas moribundas e cadáveres. Enfermeiras desamparadas e famílias que choram. Corpos amontoados em pequenos caminhões refrigerados, apressadamente enterrados em valas comuns cavadas com uma retroescavadeira. No auge da epidemia, Manaus, no Brasil, a cidade mártir de Covid-19, ofereceu ao mundo uma certa visão do apocalipse.

Oito meses mais tarde, a maior cidade da Amazônia já estaria fora de perigo. Um estudo, publicado na terça-feira, 8 de dezembro, na revista científica Science, poderia nos levar a pensar assim. Conduzido entre março e outubro por cerca de 30 pesquisadores brasileiros e internacionais de instituições de prestígio como Harvard, São Paulo (USP) e Universidades de Oxford, o estudo chegou a uma conclusão surpreendente: mais de três quartos dos residentes de Manaus (76%) agora têm anticorpos contra a SARS-CoV-2. Um nível suficientemente alto para permitir que a cidade se beneficie teoricamente da imunidade do rebanho e assim impedir a propagação descontrolada da doença.

O estudo confirma os dados preliminares divulgados pelo grupo de pesquisa em setembro no site MedRxiv, o que, na época, colocava a taxa de positividade de anticorpos dos residentes de Manaus em 66%. Ao todo, a capital do estado do Amazonas havia sofrido mais de 3.100 mortes em 8 de dezembro devido à Covid-19, uma taxa de mortalidade de 144 por 100.000 habitantes, uma das mais altas do Brasil, quase o dobro da média nacional.

Entretanto, após um período muito difícil entre maio e junho, os números da epidemia começaram a cair drasticamente por vários meses. O número de casos detectados por semana em Manaus foi dividido por três entre maio e setembro, de 4.500 para apenas 1.380. O número de mortes por semana foi dividido por oito: 292 no auge da epidemia em maio contra 33 no início de setembro. Estes dados sugerem que a imunidade de grupo foi de fato alcançada em Manaus.

Preocupante ressalto

A metrópole amazônica em expansão, tão vasta como a região da Ilha de França e povoada por 2,2 milhões de almas, tornou-se realmente segura para Covid? Quando questionados sobre esta questão, a maioria dos pesquisadores é céptica. “Este estudo foi realizado por cientistas competentes e fornece informações muito interessantes”, reage Guilherme Werneck, um renomado epidemiologista brasileiro, antes de apontar as deficiências deste documento.

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