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O Brasil finge ignorar seu racismo, mas está profundamente enraizado

O Brasil finge ignorar seu racismo, mas está profundamente enraizado

Ao contrário do que o governo brasileiro afirma, há racismo contra os negros no país, mas ele se baseia em mecanismos históricos muito diferentes dos dos Estados Unidos, diz El País Brasil. Na realidade, há uma hierarquia de tons de pele no Brasil.

Não, o Brasil não é mais racista do que os Estados Unidos. Não menos. Na verdade, não há comparação quantificável sobre este assunto. O principal é que ambos os países têm uma história de escravidão e são ainda hoje estruturalmente racistas.

No entanto, cada uma dessas sociedades foi formada de uma certa forma, com valores diferentes. E cada um tomou um caminho diferente em relação à questão racial e, portanto, evoluiu de uma forma específica, como destacam a historiadora Luciana Brito, a socióloga Flavia Rios e o advogado e filósofo Silvio Almeida.

Um jovem garoto negro assassinado a cada vinte minutos

Embora as comparações entre os dois países tenham existido pelo menos no século XIX, diz Flavia Rios, elas ganharam força em 2020 como resultado do movimento “Black Lives Matter”. O assassinato de George Floyd por um policial branco em 25 de maio provocou uma onda de protestos nos Estados Unidos.

Enquanto a imprensa internacional se concentrava no caso, que atribuía ao racismo, no Brasil, um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos sem qualquer análise diária da questão racial.

Tivemos uma amostra desta violência logo após o assassinato de Georges Floyd. As imagens deste assassinato haviam viajado pelo mundo, e um policial militar [brasileiro] reproduziu a cena: ele esmagou o pescoço de uma mulher negra em Parelheiros, no sul de São Paulo, com seu pé.

“Os policiais que fazem isto e voltam para ameaçar a vítima enviam uma mensagem à sociedade brasileira, e especialmente à comunidade negra, de que este tipo de coisa não terá conseqüências aqui”, disse Brito. Professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahía [no nordeste do país], ela estuda escravidão, sua abolição e relações raciais no Brasil e nos Estados Unidos. “Eles contam com a falta de empatia de uma grande parte da população, mas também com a impunidade desfrutada pelo Estado. É aqui que o racismo estrutural se manifesta”.

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